segunda-feira, 16 de dezembro de 2013


Marília, 16 de Dezembro de 2013 - 12:57
IVCAnuncie SobreExpedienteContato
Jornal Diário
FacebookTwitterYouTube

Postado em 15/12/2013 às 01:00

Metade das queixas que chegam ao Cejusc termina em conciliação

Categoria: Geral

CONCILIAÇÃO- Glória ressalta o diferencial de atendimento no Cejusc - Ricardo Prado
O Diário deste domingo tem como entrevistada a responsável pelo Cejusc (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania), Glória Regina Dall Evedove, 52.
Formada em psicologia, direito e pós-graduada em penal e processo penal, além de mestrado em direito empresarial, Glória está à frente do Cejusc desde a inauguração, em 17 de dezembro de 2012. Ela já atua há 35 anos no Tribunal de Justiça. Natural de Marília, Glória também é formada mediadora pela Escola Paulista de Magistratura.
A responsável destaca o primeiro ano de atuação do Centro em Marília e comenta sobre a conscientização da sociedade sobre a importância da conciliação.
Glória explica como funcionam as audiências e maneira do contribuinte buscar auxílio do Centro.
A responsável também comenta sobre os planos de expansão nos atendimentos do Cejusc, além de falar da parceria com a prefeitura e Unimar (Universidade de Marília) para execução dos trabalhos.

Qual o papel desempenhado pelo Cejusc no Judiciário?
O Cejusc foi criado pela Resolução 125  do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), em 2010. É uma nova visão e paradigma da pacificação social, ou seja, é um formato diferenciado da justiça para que as pessoas tenham o poder de resolver os seus próprios problemas e não necessitem colocar nas mãos de um terceiro. O Judiciário está lotado, uma ação tem longa duração e o Cejusc veio para agilizar este processo, fazer com que as pessoas sentem em uma mesa de negociação e elas decidam o que for melhor, deixando para o Judiciário aquelas questões mais complexas.
Desta forma o Cejusc veio atender uma classe social que se sente descontente com a justiça.

Quantos atendimentos e audiências realizadas ao longo do ano?
Até meados de novembro tivemos 3.195 reclamações das quais foram realizadas 2.600 audiências  com 1.500 acordos, mais de 50% de ações frutíferas.
Todas as reclamações se transformam em audiência e temos um prazo de 30 dias para agendamento. A partir do momento que o interessado fez a reclamação, nós enviamos uma correspondência para outra parte, às vezes só o fato do recebimento da correspondência já gera o contato entre os envolvidos e desta forma é efetuado o acordo. Por exemplo, o mutirão de renegociação de dívidas de contribuintes com a prefeitura e  CDHU, muitos convocados já foram automaticamente junto a estes órgãos para fazer o acordo administrativo. Assim estas pessoas desistem da reclamação e a mesma é arquivada. A diferença é que com o acordo administrativo não há título judicial. A partir do momento que ele faz o acordo no Cejusc há emissão deste documento em que se a parte não cumprir poderá ser executado, não é necessário entrar com nova ação.

Como e em que casos o cidadão pode recorrer ao Cejusc?
Todos os casos com exceção, por enquanto, das áreas Criminal, Previdenciária e Justiça Federal. As outras demandas como civil, família, patrimônio, guarda, divórcio, acidente de trânsito, briga de vizinhos, ações contra órgãos públicos e qualquer empresa nós podemos ingressar no Cejusc.
O Centro também é importante, pois não há previsão da lei 9.099 que estipula até 20 ou 40 salários mínimos. Então uma empresa limitada pode cobrar outra empresa limitada e assim por diante o que normalmente no Juizado Especial Civil não ocorre, pois existe o limite.
O interessado em ingressar com a ação pode comparecer no Cejusc, das 9h às 12h e das 13h às 17h, trazer toda a documentação, principalmente o comprovante de endereço da outra parte. No caso de compras em site, a pessoa deve trazer o CNPJ e o endereço eletrônico.

Quantos acordos registrados no decorrer de 2013?
Foram 1.500 no pré-processual, fora o pós-processual que são os casos em andamento. Marília é uma das únicas, além de ser a pioneira e centro de referência no ingresso de acordos nos processos em andamento. Desta forma os juízes nos encaminham os processos para uma tentativa de conciliação e mediação. Nos últimos meses outros municípios começaram a aderir neste modelo.
Com o acordo a pessoa já sai com título executivo, mas se processo estiver em andamento, o mesmo será extinto e o acordo homologado. Com isso é um processo a menos no Judiciário, e o magistrado pode se preocupar com causas que demandam mais estudos.

Quais são as principais demandas e motivos?
São mais casos de família, pois o que leva a questão dos divórcios é o superendividamento, pois enquanto você tem boas condições financeiras também possui amigos e família bem constituída, pois tem a possibilidade de oferecer uma qualidade de vida para sua mulher e filhos. A partir do momento em que a pessoa perde o emprego ou então o padrão de vida cai, acaba o dinheiro e desta forma vêm as dívidas e automaticamente isto gera estresse emocional, a estafa, depressão, alcoolismo, uso de drogas e tudo isto desemboca na destruição da família.
No Cejusc o divórcio é bastante rápido. A pessoa deve trazer os documentos pessoais, certidão de casamento e comprovante de residência e nós providenciamos o divórcio e encaminhamos aos cartórios de registro civil para averbação, desta forma os envolvidos já saem daqui separados. Em caso de pensão alimentícia expedimos um ofício para a própria empresa ou próprio termo serve para desconto junto ao trabalho da pessoa.

Qual o diferencial de atendimento no Cejusc?
Na verdade o Cejusc é um diferencial por conta da estrutura física, por isso não montamos junto ao Fórum para sair daquele padrão de briga e litígio e termos um local mais ameno. Aqui o sigilo é respeitado, os conciliadores são preparados e capacitados para isso. Anualmente eles têm uma meta, a qual deve ser cumprida com cursos de capacitação e estudos para este tipo de negociação.
O Cejusc veio abrir para evitar casos como, por exemplo, muitos dizem ser mal atendidos no Judiciário, mas isso não ocorre porque o funcionário está de mau humor, mas a pessoa não recebe as orientações, pois neste âmbito ela precisa de um advogado para representá-lo. No Cejusc isto não ocorre, pois a parte pode fazer a reclamação e é marcada a audiência de conciliação, se ela preferir vir acompanhada de advogado é permitido, mas não há necessidade.
Existe um convênio entre Defensoria Pública e Tribunal de Justiça para que a partir do próximo ano tenhamos advogados plantonistas que vão auxiliar as partes em casos em que um dos envolvidos vem com advogado e outro não, para que desta forma haja igualdade. O objetivo é a pacificação social e para que cada um observe o que é melhor dentro do planejamento familiar e o mais importante sem a discussão do mérito da culpa. Em muitos casos, por exemplo, de acidentes de trânsito, a pessoa não quer receber o valor gasto no veículo, mas sim um pedido de desculpas. Nós também temos este lado social da cidadania.
O Cejusc orienta ainda as pessoas a se dirigirem aos órgãos correspondentes. Temos o setor de psicanálise e psicologia em que encaminhamos os casais, também divulgamos a Univem para resolução de questões trabalhistas. Além de encaminharmos alguns casos de competência da prefeitura, Hospital das Clínicas, Procon e Ciretran.

Qual o benefício do Cejusc para a população e para o judiciário?
Eu acredito que seja benéfico para a população quando ela realmente quer resolver o seu conflito e não deseja depender de uma terceira ou quarta pessoa para interceder. Então quando o interessado vem aqui com a consciência de que errou ou tem a receber, pagar, mas pode fazer da seguinte forma, é favorável. Por isso quando as pessoas vêm com o espírito de fazer uma negociação, é ótimo, mas se chega com o pensamento de briga é melhor ele ir para o Judiciário. Lá o juiz vai analisar o caso por meio das provas frias. Aqui os atendidos têm a oportunidade de conversar e esclarecer certas dúvidas que na hora da raiva e tumulto não ocorre, mas passado um período elas sentam e têm oportunidade de conversar pacificamente.
Para o Judiciário também é bom porque são quase três mil processos que deixaram de ingressar na justiça. Para se ter uma ideia um processo custa ao judiciário em torno de R$ 1,2 mil e isto sai do bolso do Estado e do nosso bolso com os impostos, com isso temos uma economia.  
Aqui temos a vantagem de não ter nenhum custo, por enquanto os conciliadores trabalham voluntariamente, nós temos a parceria com a prefeitura que nos forneceu os funcionários e todo o equipamento, além do convênio com a Unimar que nos cedeu o espaço, além disso, temos apoio do Cartório Postal e vários outros colaboradores para a manutenção do Centro, já que não sai nenhum tipo de verba do Judiciário para este fim.  

Qual a agilidade na conclusão do processo no Cejusc em relação aos meios tradicionais do Judiciário?
Aqui no Cejusc o prazo é de 30 dias, no Judiciário poderia durar de 30 dias até 20 anos dependendo de cada caso.

Quantos mutirões promovidos durante o ano, quais os temas?
Promovemos quatro mutirões da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional de Urbano), dois do EAD (Educação a Distância), mutirão para a renegociação de dívidas de contribuintes junto a prefeitura, Emdurb (Empresa de Desenvolvimento Habitacional e Urbano de Marília) e quatro de banco. Este banco ficou extremamente feliz com os resultados e temos a procura de outras bandeiras para realizar novos mutirões. Na semana passada tivemos a Semana da Conciliação que envolveu diversos assuntos. Agora pleiteamos com a prefeitura o mutirão do Daem (Departamento de Água e Esgoto de Marília), além de um procurador do município plantonista que compareça uma vez na semana para fazer o atendimento à população.
Quando o Cejusc foi inaugurado há um ano, eu mencionei que o espaço estaria pequeno e hoje realmente isto ocorreu, porque graças ao trabalho da nossa equipe e ajuda da mídia para conscientização das pessoas, o Centro do município serve como modelo para a região. Por isso encerramos este ano de uma forma muito positiva e feliz. Atualmente o Cejusc já conquistou uma credibilidade, isto é um fator importante.

Acredita que as pessoas estão mais conscientes sobre a importância da conciliação?
 Sim, pois uma demanda judicial além de custar caro demora muito tempo, então temos de parar com aquele velho jargão de que é melhor um mau acordo do que uma boa demanda, mas sim focar na ideia de que é melhor um acordo fácil de ser cumprido e que se encaixe dentro do padrão de cada pessoa. Isto porque atualmente a economia do Brasil não é estável, então se a pessoa não tiver a possibilidade de fazer um acordo que atenda as suas necessidades e da outra parte fica complicado.

Quantos funcionários atuam no Cejusc? É suficiente? Como é realizada a capacitação?
São três funcionários do Judiciário, três da prefeitura, oito estagiários da psicologia e dois estagiários do direito da Unimar. Também estamos abertos para firmar parcerias com outras universidades. Alunos do Univem, por exemplo, assistem as audiências de conciliação.
São 38 mediadores e conciliadores formados pela Escola Paulista de Magistratura, nos últimos dias formou-se outra turma que vai fazer o estágio probatório de observação e mediações com outros funcionários já capacitados. Por enquanto eles não recebem nada, mas existe um projeto votado para o pagamento desta classe.
O número de funcionários não é suficiente, o que tem nos ajudado muito são os estagiários, além de ser um laboratório de aprendizado, pesquisa e forma de lidar com o problema das pessoas, eles nos ajudam com a parte administrativa, é uma troca.
Para ser suficiente eu precisaria de pelo menos uns seis funcionários pelo Judiciário.
Todos os contratados do Cejusc fazem o curso de conciliação e mediação.

Como a comunidade tem avaliado o trabalho do Cejusc?
Nós temos uma pesquisa obrigatória que fica pronta no próximo ano, mas o que percebemos é um nível de satisfação muito bom, principalmente por não ser aquele cenário seco do judiciário e sim um ambiente mais humanizado.  
Isto tende a aumentar, pois vamos passar a receber os processos de julgamento em segunda instância, a partir de 2014 e temos também o projeto para iniciar as conciliações de questões urbanísticas e ambientais.

Comentários

Publicidade Interna
Mais Recentes
Jornal Diário

Rua Coronel Galdino de Almeida, 55
Marília/SP - CEP 17.500-100
Fone (14) 3402-5122
Fax (14) 3402-5125
diario@diariodemarilia.com.br


Jornal Diário
Páginas
Sobre
Anuncie
Assine
Expediente
Contato
Webmail
Cadernos
Polícia
Esporte
Geral
Cultura
Saúde
Caderno B
Economia
Carro
Circulando
Dia a Dia
Charge
Classificados
Redes SociaisFacebookTwitterYouTube
Diário-Correio é resultado da fusão ocorrida em 1992 entre o Diário de Marília e Correio de Marília, fundado em 1º de Maio de 1928. StrikeOn

Protesto de taxistas dificulta trânsito perto do aeroporto de Congonhas, em SP

Do UOL, em São Paulo
Uma carreata realizada por taxistas dificultava o trânsito na região do aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, na manhã desta segunda-feira (16).
Cerca de 130 taxistas participam do ato, segundo a Polícia Militar. Às 10h20, o grupo estava no corredor Norte-Sul, nas imediações do viaduto João Julião da Costa Aguiar, perto do aeroporto.
Segundo a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), às 10h, o corredor registrava 8,6 km de lentidão no sentido aeroporto, no trecho entre a praça da Bandeira até o viaduto. A companhia recomenda que os motoristas evitem trafegar pela região.
Os taxistas saíram mais cedo do estádio do Pacaembu, na zona oeste da capital, passaram pela avenida Doutor Arnaldo, percorreram a avenida Paulista, na região central, e depois seguiram pela avenida 23 de Maio.
Após passar pela região de Congonhas, os taxistas pretendem ir em direção à sede da Prefeitura de São Paulo, no centro da cidade, segundo informações da rádio CBN.
O grupo é ligado ao Movimento Independente dos Taxistas e protesta contra a intenção da prefeitura de proibir o trânsito de táxis pelos corredores e faixas exclusivas de ônibus.  
Nesta terça-feira (17), o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, deve se encontrar com o promotor de Habitação e Urbanismo Maurício Ribeiro Lopes para discutir o futuro dos táxis nos corredores de ônibus. 
 
Um estudo encomendado pela promotoria à Prefeitura e divulgado na semana passada revela que esses veículos atrapalham o deslocamento dos coletivos nos corredores, que ficam à esquerda da pista. Já nas faixas exclusivas, situadas à direita, os taxistas nunca puderam utilizar, desde que foram lançadas pela prefeitura. (Com Estadão Conteúdo)
 
Ampliar

Trânsito em São Paulo200 fotos

1 / 200
5.dez.2013 - Após dia de sol forte e calor intenso, chuva atinge capital paulista nesta quinta-feira (5). A imagem foi feita na avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O trânsito era intenso na via no começo da noite Bárbara Paludeti/UOL

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013



"Fator previdenciário não adia aposentadoria precoce"

Afirmação é de Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência; além da ineficiência, mecanismo pode gerar um esqueleto de R$ 69 bilhões

Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às
Elza Fiúza/ABr - 25.7.2012
Rolim: 'o fator não tem adiado a aposentadoria'
O fator previdenciário tem falhado em seu principal objetivo: impedir que as pessoas se aposentem cedo demais. Também não conseguiu inverter a tendência de deficit da Previdência Social. Mas serviu para criar um possível esqueleto de R$ 69 bilhões.
Desde que o fator previdenciário foi criado, em 1999, para retardar as aposentadorias por tempo de contribuição, idade média dos que pedem esse benefício aumentou cerca de 2 anos e três meses, de 51,7 anos para 54 anos, segundo dados da Previdência.
LEIA TAMBÉM: Saiba o que é fator previdenciário
Para se ter uma ideia, nesse período, os aposentados como um todo –  dos setores público e privado, afetados pelo fator ou não – envelheceram praticamente o mesmo tempo: dois anos e pouco mais de três meses, de 64,73 anos para 67,11 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população como um todo ficou três anos e meio mais velha.
“O instrumento que existe hoje [para atrasar desestimular a aposentadoria precoce] é o fator previdenciário, que não tem adiado a aposentadoria [por tempo de contribuição]”, afirma Leonardo Rolim, secretário de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência, em entrevista ao iG, comentando apenas sobre os dados da pasta.
“Olhando apenas os que se aposentam por tempo de contribuição, está mais ou menos estável a idade com que eles se aposentam”, diz Rolim. “É uma média baixíssima. Em nenhum lugar do mundo as pessoas se aposentam tão cedo como no Brasil.”
LEIA TAMBÉM: Executivo do BNDES descarta reforma da Previdência em 2015
Mesmo a comparação entre a aposentadoria por idade e por tempo de contribuição não mostra uma vantagem muito expressiva do fator: entre 2002 e 2012 (a Previdência não forneceu os dados para 1999), a idade média de quem pede esses benefícios avançou, respectivamente, dez e sete meses.
'Politicamemte mais fácil' 
Forçar os trabalhadores a se aposentarem mais tarde foi a estratégia encontrada pelo governo para equilibrar as receitas e despesas da Previdência Social, lembra Marcelo Driemeyer Wilbert, doutor em economia, professor da Universidade de Brasília (UnB) e pesquisador do tema. Mas, em setembro deste ano, o deficit estava em R$ 36,2 bilhões.
SAIBA MAIS: Aumento na expectativa de vida do brasileiro preocupa a Previdência
"No nosso estudo [publicado em 2012], concluímos que o fator previdenciário contribuiu para a redução do deficit, mas não foi capaz de equilibrar receita e despesa", diz Wilbert, que não chega a defender o fim da medida. "O que eu posso dizer é que o Regime Geral de Previdência Social tem de ser revisto. Está se protelando algumas coisas, mas em algum momento vai ser mais difícil protelar."
Wilbert considera que o fator era a medida "politicamente mais fácil" de se implementar à época, já que outro caminho para evitar o déficit envolveria elevar decisões bastante impopulares como elevar a alíquota de contribuição e ou os requisitos mínimos para se pedir uma aposentadoria.
Ao menos um desses pontos, entretanto, já voltou a ser debatido. Numa mesa ligada à Secretaria-Geral da Presidência da República criada para discutir mudanças na Previdência, aventou-se, segundo Rolim, mudanças como aumentar o tempo mínimo de contribuição – hoje em 30 anos para os homens e 25 para as mulheres – ou implementar uma fórmula que somasse o tempo de contribuição com a idade, à semelhança do que acontece com a aposentadoria dos servidores públicos.
“Mas não se chegou a se fechar nenhuma proposta”, diz Rolim, “[Alterações] acredito que só depois das eleições [de 2014].”
Ganho, em vez de perda
Para o secretário, o problema das aposentadorias precoces está na falta de cultura previdenciária da população. O benefício é visto como uma renda complementar à do trabalho, afirma. Em 2012, aproximadamente 21% dos aposentados tinha até 59 anos  – ou seja, não era sequer idoso. Em 2002, essa parcela era de 29%.
“As pessoas que se aposentam com 55 anos, no caso dos homens, perdem em torno de 31% do benefício pelo fator previdenciário. Mas elas não veem uma perda de 30%, veem um ganho de 70%", afirma Rolim. "Vinte por cento das pessoas que se aposentam por tempo de contribuição têm menos de 50 anos. Preenchidos os requisitos para se aposentar, já pedem no mesmo mês.”
Mas o medo de que as regras mudem e a situação se torne ainda mais prejudicial ao trabalhador também é outro motivo. Desde a década de 1990, o Brasil passou por duas grandes reformas da Previdência. Se o metalúrgico Jaime Gasparin tivesse se aposentado antes de 1998, por exemplo, não teria sido atingido pelo fator previdenciário, que lhe tomou 16% do benefício.
“Se eu não me aposentasse, podia correr o risco de mudarem de novo as regras e eu ficar no prejuízo”, comenta o ex-metalúrgico de São Bernardo do Campo, que pediu o benefício quando tinha 50 anos, e continua trabalhando como autônomo. “Minha esposa [aposentada aos 48 anos] perdeu 26%.”
Bomba relógio
Se foi insuficiente para conter aposentadorias precoces, o fator previdenciário foi eficiente o bastante para criar uma bomba relógio: os processos judiciais em que se pede, após um período extra na ativa, a revisão do benefício – e, assim, diminuir o impacto negativo causado pelo fator previdenciário.
Conhecida como desaposentação, a tese depende de julgamento no STF, esfera jurídica na qual  o ministro Marco Aurélio Mello já votou favoravelmente aos beneficiários. Há dois processos na Corte – um relatado pelo ministro Dias Toffoli e outro, por Luís Roberto Barroso. Ambos serão julgados juntos.
O governo estima que, se o STF se puser a favor da desaposentação, o impacto para as contas da Previdência será de R$ 69 bilhões no longo prazo. Há cerca de 500 mil aposentados que voltaram à ativa e contribuem para a Previdência.
“Não há plano B [para esse cenário]”, diz Rolim. “Estamos aguardando a decisão do STF.”
Leia tudo sobre: fator previdenciárioprevidência